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Encruzilhada gen?tica



30/03/2005
A aprova??o do uso cient?fico de c?lulas-tronco embrion?rias humanas, feita recentemente pelo Congresso Nacional, foi comemorada por muitos pesquisadores. Mas, ao contr?rio do que pode parecer em um primeiro momento, o consenso est? longe de ser atingido. Por uma s?ries de raz?es, t?cnicas ou at? filos?ficas, parte da comunidade cient?fica ? reticente ao uso das c?lulas. Alguns grupos chegam a ser contr?rios ? pr?tica. Outros afirmam que se criou um otimismo exagerado sobre o assunto.



?Quanto ? aplica??o das c?lulas embrion?rias em terapias de v?rios tipos de doen?as, existem algumas desvantagens da utiliza??o desse material gen?tico que n?o apareceram durante os debates de aprova??o do Projeto de Lei de Biosseguran?a?, disse Nance Nardi, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ? Ag?ncia FAPESP.



Segundo a cientista, que disse achar interessante oferecer ?s pessoas a liberdade de op??o, os problemas s?o basicamente dois. ?Tais c?lulas apresentam grave risco de seguran?a. A n?o ser que estejam sob total controle, pode ocorrer o surgimento de tumores, do tipo teratomas, nos recipientes do transplante?, explica Nance.



Al?m disso, o uso de c?lulas-tronco embrion?rias ? e, portanto, de outro indiv?duo ? traz o problema da rejei??o imunol?gica, assim como ocorre em qualquer tipo de transplante. ?Esse por?m poderia ser superado pelo emprego da clonagem terap?utica ou, como ? chamada agora, da transfer?ncia nuclear, mas o texto aprovado n?o permite o emprego dessa metodologia?, afirma a pesquisadora.



Com bastante experi?ncia nas pesquisas com c?lulas-tronco adultas, a cientista lembra que a aprova??o do projeto de lei n?o significa que a cura de certas doen?as esteja ?logo al?m da primeira esquina?. Para Nance, isso passa a ser bastante doloroso particularmente para pessoas que aguardam com ansiedade uma novidade nessa ?rea, que passa a ser a ?nica possibilidade de cura de doen?as como Parkinson, Alzheimer e les?es espinhais que causam paraplegia.



?? necess?rio deixar muito claro que, atualmente, as c?lulas-tronco adultas representam uma possibilidade muito maior de tratamento que as embrion?rias. Na verdade, existe no mundo hoje um grande n?mero de estudos cl?nicos que empregam c?lulas-tronco adultas para tratar uma variedade de doen?as, mas nem sequer um que utilize as embrion?rias. Isso mostra que ainda estamos longe de dominar essa tecnologia e tamb?m como estamos perto da expans?o do uso das c?lulas adultas para um n?mero maior de patologias?, afirma a cientista.



Para Nance, o uso de c?lulas-tronco embrion?rias humanas tem uma import?ncia muito grande para a pesquisa b?sica. ?Processos celulares de prolifera??o e diferencia??o t?m regula??es diferentes entre um tipo de c?lula e outro. E algumas dessas informa??es podem ser obtidas apenas em humanos?, explica.



Al?m dessa vantagem, os grupos que pretendem usar as c?lulas embrion?rias humanas apontam outros pontos de destaque. Um deles ? que, por exemplo, essas linhagens apresentam uma plasticidade muito grande, o que pode ser fundamental em determinados casos.





Posi??es contr?rias



No grupo dos totalmente contr?rios ao uso de c?lulas-tronco embrion?rias est? Dante Gallian, diretor do Centro de Hist?ria e Filosofia das Ci?ncias da Sa?de da Universidade Federal de S?o Paulo (Unifesp). ?Acredito que a partir do momento em que se conflagra o processo de desenvolvimento de uma vida humana ? no momento da fus?o dos gametas ou da infus?o do n?cleo contendo o material gen?tico ? a vida come?a a existir?, disse.



Para o historiador da Unifesp, que classifica a aprova??o da lei de ?retrocesso human?stico?, a expectativa criada sobre o uso de c?lulas embrion?rias humanas pode se transformar em engodo cient?fico, ou porque os resultados n?o vir?o ou ser?o obtidos com muito atraso. ?A Cor?ia do Sul ainda n?o chegou a nenhum resultado efetivo, apesar de usar essas c?lulas h? algum tempo?, afirma.



As pesquisas com c?lulas-tronco embrion?rias, para muitos cientistas, poder?o ser fundamentais no futuro. Para algumas doen?as, inclusive, elas representam a ?nica possibilidade de que se consiga algum sucesso cl?nico. Essas linhagens, por exemplo, s?o desprovidas de certos problemas gen?ticos. Isso nem sempre vai ocorrer nas entre as c?lulas adultas.



Totalmente favor?vel ? aprova??o da lei e ?s novas possibilidades que se abrem com as novas linhas de pesquisa, Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de S?o Paulo, um dos Centros de Pesquisa, Inova??o e Difus?o (Cepids) da FAPESP, diz que ? preciso ter muito cuidado com algumas promessas. Os resultados ainda v?o demorar v?rios anos para aparecer, em algumas situa??es.



?? preciso muito cuidado para que n?o se confunda pesquisa com tratamento ? h? uma press?o enorme de pessoas que j? querem se tratar. Por outro lado, ? muito importante continuar divulgando como isso ser? feito, porque j? tem gente dizendo que vai injetar c?lulas embrion?rias. Ali?s, isso existia antes de a lei ser aprovada. ? preciso cuidado com pessoas que est?o prometendo isso?, disse. Para Mayana, em vez de ceifar vidas, as novas pesquisas v?o ? ?criar novas vidas?.





Fonte : Ag?ncia Fapesp - 30/03/2005



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