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Assembleia de médicos em Piracicaba expõe o caos na saúde do município



17/09/2009
Uma assembleia de médicos reuniu na noite de ontem, plantonistas da rede pública de Piracicaba que denunciaram as más condições para o exercício da medicina no município. Segundo os médicos, a falta de profissionais e de incentivo são os principais problemas. Um médico chega fazer 120 atendimentos em 12 horas de plantão, o que significaria seis minutos por atendimento, isso se o médico deixasse de se alimentar, ir ao banheiro, etc. Uma situação desumana tanto para o médico quanto para o usuário.

"Salários abaixo do mercado, ausência um Plano de Cargos e Carreira, excesso de jornada, falta de diálogo e desorganização nas escalas de plantão são fatores que afastam o médico da rede pública", explica José Amauricio Pauli, presidente da regional de Piracicaba do Sindicato dos Médicos (Sindimed).

No último final de semana, por exemplo, a cidade, que tem cerca de 400 mil habitantes, ficou sem pediatra de plantão. Na maior Unidade de Pronto Atendimento Médico (Upam), a do Picacicamirim, é comum um único plantonista atender consultas, emergências e ainda os 50 leitos de observação. "Isso coloca o profissional em risco, caso haja perda de vida, o médico é que será responsabilizado e não o gestor" alertou Moacyr Esteves Perche, presidente do Sindimed.

O departamento jurídico do sindicato entra ainda esta semana com um boletim de ocorrência coletivo, junto à Polícia Militar, com o objetivo de preservar o médico caso ocorra uma tragédia. O Sindimed orientou também para que a falta de plantonista, ou de condições de trabalho, seja registrada no prontuário de cada plantão.

A assembleia definiu por uma mobilização permanente, uma audiência pública convocada em conjunto com o Conselho Municipal de Saúde e Câmara Municipal e o encaminhamento à Secretaria de Saúde da pauta de reivindicações dos médicos.

Precarizar para terceirizar

A precarização no serviço público de saúde transforma o herói em vilão. O usuário, que enfrenta horas de espera, acaba por culpar o médico pelo mau atendimento. Os gestores geralmente se safam também colocando a responsabilidade em cima das ausências de médicos na rede. "No fim, o herói, que dobra seu plantão e se dispõe a atender mesmo em condições desumanas, vira o vilão da história", lamenta o presidente do Sindimed.

Para a entidade médica, o que tem acontecido é um processo de sucateamento para justificar a terceirização dos serviços. "O governo municipal não oferece salários competitivos, precariza os serviços, se mostra deficiente na gestão e assim justifica a contratação de empresas terceirizadas. "Essas empresas não tem compromisso com o profissional nem com o SUS, muito menos com o município e a situação só tende a se agravar", conclui Pauli.

Participaram da assembleia o Conselho Regional de Medicina, representado por Renato Françoso Filho, a Associação Paulista de Medicina, por Eduardo Rebeis e o Conselho Municipal de Saúde, com Luiz Tadeu da Silva.
Fonte : Sindmed/Campinas


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