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Mulheres na história da medicina: homenagem aos 100 anos do Dia Internacional das Mulheres



08/03/2010
"Desde o início dos tempos, mulheres sábias colhiam ervas e faziam infusões, davam os cuidados do dia a dia que eram quase que toda a ajuda disponível para os doentes até dois séculos atrás. Elas banhavam os artríticos e manipulavam suas articulações, acompanhavam as mulheres grávidas e faziam seus partos. Uma vez que a maioria dos remédios era ineficaz há até cerca de cem anos, pode-se dizer que a maior parte da medicina prática estava na mão das mulheres."
Ian Carr (Women in Healing and the Medical Profession, 2004)

Apesar da antiga atuação das mulheres na medicina, são os nomes de homens que predominam na história e dentre as possíveis razões estão: os manuscritos que sobreviveram foram escritos por homens; as mulheres deixaram de ser admitidas nas escolas médicas durante grande parte do início do Período Moderno. O sexo feminino, apesar da discriminação enfrentada ao longo dos séculos, muito fez pelo desenvolvimento das ciências.

É interessante observar que, além de serem menos citadas na história da medicina, as mulheres são até hoje menos reconhecidas em prêmios e homenagens. Apenas sete mulheres receberam o Prêmio Nobel na categoria Fisiologia e Medicina: 1947 – Gerty Cori (médica); 1977 – Rosalyn Yalow (física nuclear); 1983 – Barbara McClintock (citogeneticista); 1986 – Rita Levi-Montalcini (médica); 1988 – Gertrude B. Elion (química); 1995 – Christiane Nüsslein-Volhard (bioquímica, bióloga molecular); 2004 – Linda B. Buck (neurobióloga).

Também merecem menção: Marie Curie, que recebeu os Prêmios Nobel de Física em 1903 e de Química em 1911; Irene Joliot-Curie (filha de Marie e Pierre Curie), Prêmio Nobel de Química em 1935; Maria Goeppert-Mayer, Prêmio Nobel de Física em 1963; Dorothy Crowfoot Hodgkin, Prêmio Nobel de Química em 1964.

Muitas outras não receberam a consagração do Prêmio Nobel, mas deixaram seus nomes registrados na medicina de nossa época. Dentre elas, destacam-se: Augusta Marie Dejerine-Klumpke (1859-1927), neurologista; Cornelia Catharina de Lange (1871-1950), pediatra; Margareth Reed Mendenhall (1874-1964), patologista; Hellen Brooke Taussig (1898-1986), cardiologista pediatra; Edith Louise Potter (1901-1993), especialista em patologista perinatal; Virginia Apgar (1909-1974), anestesista; Sophie Spitz (1910-1956), patologista; Audrey Elizabeth Evans (n. 1925), oncologista pediatra, Zilda Arns Neumann pediatra (1934-2010).

Mulheres já são maioria

Dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo dão conta de que a saúde de São Paulo está cada vez mais feminina. O Cremesp informou que o número de estudantes mulheres bateu recorde: hoje elas somam 54% entre os 3029 recém-formados em 2009, maioria entre os novatos de jaleco. Ano passado, elas eram 52% e na década de 80 não passavam de 35%. Livros fazem retrospectiva da participação das mulheres no exercício da medicina

Livros traçam a trajetória da mulher na medicina

O sexo feminino, apesar da discriminação enfrentada ao longo dos séculos, muito fez pelo desenvolvimento das ciências. Um livro recém-lançado no Brasil resgata esta história ao apresentar as principais mulheres que influenciaram a prática médica.

Escrita pela professora da Faculdade de Medicina da CochinPort-Royal e ex-presidente da Associação Francesa das Médicas, Josette Dall'Alva Santucci, a obra resgata a história de mulheres que desafiaram as dificuldades impostas pela sociedade e conseguiram estudar e exercer a medicina.

Da história da médica Metrodora, que viveu no Império Romano e escreveu, nos primeiro séculos da Era Cristã, um tratado sobre doenças do útero1, às mulheres que lutaram pela abertura da universidade para o sexo feminino no século XIX, a autora traça um panorama completo da participação feminina na medicina, narrando histórias intrigantes, como a de um condecorado oficial-médico do exército britânico que na verdade era uma mulher.

Usando sua experiência como diretora de um complexo hospitalar em Paris, a autora reconstituir o papel da mulher na sociedade a partir da história das pioneiras no ofício de salvar vidas. (Mulheres e Médicas - as Pioneiras da Medicina - autora: Josette Dall'Alva Santucci - RJ, 2005, 248 páginas - Ediouro 21 3882-8416)

Em 2005 a Associação Brasileira de Mulheres Médicas lançou o livro "A História da Associação Brasileira de Mulheres Médicas" que ao contar a história da entidade traça a trajetória das mulheres que desejavam ser médicas no Brasil. Consta no llivro, que até o final do século XIX a medicina só podia ser exercida por homens porque o acesso das mulheres à universidade era proibido. A liberação dos estudos para as mulheres se deu lentamente a partir de 1850, quando foi fundada na Philadelphia a primeira escola médica para mulheres, "The Female Medical College of Pensylvania".

Somente em 1879 D. Pedro II colocou a carreira médica ao alcance da mulher, através da reforma Leôncio de Carvalho (decreto 7.247 de 19 de Abril de 1879), que autorizava a matrícula das mulheres nas escolas superiores.

A primeira brasileira a diplomar-se médica foi Maria Augusta Generoso Estrela, nascida em 1860, que anteriormente à reforma seguiu para Nova York a fim de freqüentar o curso médico no New York Medical College and Hospital for Women. Completou o curso em 1879 e retornou ao Brasil em 1882, montando um pequeno consultório onde clinicou por muitos anos.

A primeira brasileira a inscrever-se e freqüentar uma Faculdade de Medicina no Brasil foi a gaúcha Rita Lobato Velho Lopes. Iniciou seu curso médico em 1883 no Rio de Janeiro, transferiu-se para Salvador em 1885 e matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Diplomou-se em 1887 e clinicou até 1925, quando abraçou a carreira política.

Mulheres médicas na história

Na Idade Média:

* As que se envolviam com a medicina eram consideradas representantes de Satã (curandeiras) e condenadas à morte na fogueira; (única alternativa era o casamento ou o convento).
* Surge "clínica" em hospitais e são criados os hospitais-escolas onde as parteiras são admitidas.
* No século XII surgem as universidades, porém as mulheres continuam excluídas, surgindo assim a medicina clandestina que se aprende por meio de um estágio junto a um médico. A Itália é a exceção.

Renascimento:

* Final do século XVI as médicas quase desaparecem, exceto as parteiras.
* A mulher é a representação da beleza, da procriação, da virtude (não do intelecto) .
* As doenças crônicas como "doenças das mulheres".
* Na marginalidade algumas ousam ultrapassar os costumes da época são cirurgiãs (Inglaterra), parteiras (França) e médicas (Alemanha). A Itália como exceção, perpetua a tradição greco-romana que aceitava as médicas (as Universidades estavam abertas às mulheres).

Revolução Francesa e Século XIX:

* Com a filosofia de retorno à natureza, o papel básico da mulher era relegado ao de esposa e mãe (com base na tese da "incurável inferioridade do gênero feminino").
* No século XIX - a idade de ouro das doenças mentais (histeria).
* Surge a concepção do hospital moderno porém, estudar é "tido" um perigo para a saúde (principalmente "mental") da mulher.
* Movimento feminista na Alemanha, muitas faculdades de medicina começam a abrir as portas para as mulheres: quatrocentas estudantes inscritas em 1899.
* Século XX: Primeira Guerra Mundial, com a necessidade da substituição daqueles que foram convocados.
* As mulheres se inserem de forma legitima na sociedade. Porém, as médicas receberão menos honraria e serão menos aceitas.
* Dedicam-se à formação de enfermeiras (França/Alemanha), ou são aceitas para atuação no espaço da saúde como "enfermeiras".
* Um novo impulso na medicina através da Radiologia (Marie Curie).
* Em 1922, é criada a Associação Internacional das Médicas.
* Segunda Guerra Mundial: mais oportunidade de agir junto ao corpo médico masculino (atuando na resistência, na aeronáutica e no surgimento do atendimento de urgência).

Sociedade Industrial

* O maior ingresso das mulheres em nichos profissionais considerados masculinos e na medicina em particular, se deve a convergência de vários fatores:
* Intensa transformação cultural a partir dos anos 60/70;
* Movimentos sociais e políticos impulsionando as mulheres para as universidades públicas em busca de um projeto de vida profissional e não apenas doméstico;
* Racionalização e transformações pelas quais passa a medicina;
* Processo de especialização e assalariamento em detrimento da antiga autonomia profissional.
Fonte : Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular / Associação Brasileira de Mulheres Médicas / Editora Ediouro / Portal Ig / Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul / Alves E, Tubino P. - História da mulher na medicina, 2009.



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