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Diretoria da FENAM toma posse nesta quinta-feira, em Brasília


Foto: Osmar Bustos
Diretoria da FENAM toma posse nesta quinta-feira, em Brasília
O presidente da FENAM, Cid Carvalhaes, revela como irá desenvolver seu trabalho à frente da entidade


07/07/2010
A nova diretoria da Federação Nacional dos Médicos, eleita no dia 19 de junho durante o Congresso da FENAM, toma posse nesta quinta-feira, 29/07, em Brasília. A solenidade será realizada no Centro de Convenções Brasil XXI, a partir das 20 horas.

A nova diretoria da FENAM é composta pela presidência, duas vice-presidências, 11 secretarias, oito diretorias, além do Conselho Fiscal e seis regionais, e comandará a entidade no biênio 2010/2012, priorizando, segundo afirmou o presidente eleito, lutas como a implantação da carreira de Estado para os médicos, a valorização do trabalho médico no Sistema Único de Saúde, o Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos (PCCV), a qualidade do ensino médico e a aprovação do projeto de lei que estabelece em 7 mil reais o salário mínimo profissional para a categoria.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da FENAM, o presidente, Cid Carvalhaes, revela como irá desenvolver seu trabalho à frente de uma das maiores entidades representativas da categoria médica no país.

Como o Sr. pretende desenvolver seu trabalho no comando da FENAM nos próximos dois anos? Quais são as suas expectativas e quais são os seus planos em relação ao movimento médico?

Em primeiro lugar, preciso agradecer a todos os companheiros dos sindicatos do país, que confiaram a mim e a esta diretoria o comando da FENAM. Somos novos velhos, velhos novos, porque, de fato, a renovação é pequena. Lamentavelmente, o movimento político brasileiro se renova pouco, e isso se reflete também no movimento médico e evidentemente no movimento sindical. Mas tem uma mudança, uma mudança estatutária, que, seguramente, terá uma continuidade. É claro que algumas pessoas são diferentes e vão exercer funções diferentes, com características diferentes. O movimento médico brasileiro, o movimento de saúde do país, passa por problemas graves, com dificuldade na formação, na formação da grade curricular clássica, o aumento abusivo de faculdades de medicina, a má qualificação do ensino, má distribuição das faculdades em todo o território nacional, residência médica como um problema que pontualmente se destaca. Além disso, não temos uma política de saúde definida, portanto, corremos sempre atrás de prejuízos, atuando pontualmente em situações que são mais agudas aqui e ali. Alguns estados têm uma posição um pouco mais favorável, outros têm posições extremamente desfavoráveis, outros em severo e tremendo sofrimento. A gestão tripartite no serviço público traz uma série de problemas, especialmente na contratação de recursos humanos e no provimento de médicos. Não se obedece a um plano de cargos, carreiras e salários, não tem porta de entrada no serviço público definida, não há uma definição também no escalonamento de atividades, não há distribuição de recursos, tanto financeiros quanto de materiais e alocação básica, distribuição adequada de recursos humanos médicos, essencialmente, as condições de trabalho são precárias e as remunerações terrivelmente ruins. Isso tudo constitui um gigantesco problema, que as entidades médicas, como um todo, vem enfrentando com bastante determinação e a FENAM vem cada vez mais se firmando dentro de toda essa sequência de situações, que se colocam como verdadeiros desafios e, de uma certa forma, não deixam de ser grandes provocações.

De todas essas situações que o Sr. relacionou, qual será o seu maior desafio nos próximos dois anos?

O grande desafio é fazer o médico feliz.

E como fazer o médico feliz?

O médico é um profissional muito eficiente, consciente, muito compromissado com a medicina. Tanto isso é verdade, que, nas pesquisas de confiabilidade de atividades profissionais, o médico tem um índice de aprovação acima de 80%. E o outro lado é que apesar de todas as situações que são ruins e que a gente enfrenta no dia a dia, o médico é o profissional que menos abandona percentualmente a profissão. Não chega a meio por cento de abandono. Isso revela que o médico é um profissional altamente comprometido. É uma coisa paradoxal, contraditória, porque a gente observa que, de um lado, todas as reclamações possíveis e imagináveis a respeito do atendimento da saúde da população, e do outro lado se observa os melhores índices de qualidade de vida, inclusive índice de desenvolvimento humano, o controle de várias doenças com programas de alta qualificação, e a gente vê também, por exemplo, a proliferação da epidemia de dengue em vários locais do país, doenças que deveriam estar devidamente controladas, como as epidemias e manifestações da leptospirose em épocas de enchentes, verminoses que se alastram, etc. Em contrapartida, os programas relacionados à DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) são de excelência, os programas de vacinação, o controle de uma série de doenças e a erradicação de muitas delas também são de excelência; a dispensação de medicação de alto custo, transplantes, são situações realmente contraditórias, e o médico é o grande artífice disso tudo. Só que ele trabalha em condições ruins, é sacrificado e mau remunerado, e a despeito de tudo isso, ainda cumpre bem a sua função. Ele precisa enfrentar isso e sensibilizar as autoridades, tanto os gestores públicos quanto privados que é impossível associar o sacrifício, o empenho, à má qualidade de vida profissional. Uma das formas é que a FENAM, através da sua diretoria e representantes do país inteiro, possa de fato solidificar, possa intensificar um pouco mais as ações que já vem sendo desenvolvidas no sentido de que consigamos contornar pelo menos os aspectos de maior gravidade, de maior agudez dentro de todo esse contexto. Se Nós conseguirmos, por exemplo, implantar o Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos, que a FENAM liderou na sua elaboração; se conseguirmos estabelecer parâmetros de porta de entrada definida; se conseguirmos a aprovação do salário mínimo do médico e, consequentemente, o salário mínimo preconizado pela FENAM; se conseguirmos estabeler pelo menos a discussão mais avançada da carreira de estado para os médicos, e conseguirmos a aprovação da regulamentação da Emenda 29, uma orçamentação própria para a saúde ou pelo menos que se defina melhor a orçamentação da saúde, tenho certeza que o médico vai se tornar mais feliz, mais satisfeito, vai poder trabalhar melhor, vai poder ser remunerado de maneira mais adequada, mais condizente, e vai poder dedicar mais de si à população sofrida, que deseja e merece uma atenção maior e melhor cuidado.

2010 é ano de eleições. O Sr. pretende, de alguma forma, manter contato com os candidatos para conhecer as propostas que eles têm na área de saúde?

Nós teremos o ENEM (Encontro Nacional das Entidades Médicas), que acontecerá nos próximos dias, e o ENEM é o encontro coordenado pelas três entidades, co-presidido pelos três presidentes, e a gente pretende convidar os principais candidatos à presidência da República para que eles possam ir ao ENEM em Brasília, a fim de que possam expor suas teses, seus programas e os seus comprometimentos com a saúde. Essa é uma forma. A FENAM, através de sua Assessoria de Comunicação, poderá acionar os principais candidatos e solicitar deles que respondam nossas questões e que essas questões sejam decididas, debatidas e encaminhadas pela nossa diretoria, para que possamos conhecer o pensamento a respeito do equacionamento da saúde no país que os principais candidatos à presidencia da República têm. Digo sempre que no palanque todas as soluções são maravilhosas e no palácio todos os encaminhamentos são desastrosos. Existe um abismo entre o palanque e o palácio. Parece que o candidato, quando eleito, vira um governante insensível. Se nós conseguirmos pelo menos definições políticas de saúde a serem adotadas pelos principais candidatos, aquele que for eleito ou aquela que for eleita, seguramente poderá desencadear um debate, uma ampla discussão por todos os setores interessados, com base exatamente naquilo que ele definiu como candidato, e queremos pelo menos fazer uma ponte sólida entre o palanque e o palácio.

Como presidente da FENAM, que mensagem o Sr. gostaria de deixar para os médicos brasileiros e o que eles podem esperar do Sr. como presidente da Federação Nacional dos Médicos?

Eu é que espero deles. Mas transmito a eles uma mensagem de otimismo, uma mensagem de fé e, acima de tudo, uma mensagem de confiança. Quando a gente assume uma responsabilidade dessa envergadura, a primeira coisa que existe é uma preocupação muito grande no sentido de dar conta de todos os compromissos e encaminhar soluções adequadas que a saúde exige. O segundo lugar eu gostaria de dizer para os médicos brasileiros, de uma maneira geral, que os médicos, quando querem, podem. Então, é preciso quebrar um pouco o individualismo, a tentativa de solução pessoal, para fortalecer bastante as entidades médicas. Todas elas têm sua relevância, sua importância, mas é preciso que os médicos saibam que quem efetivamente defende os interesses, as condições e qualidades de trabalho e remuneração adequada é o movimento sindical. Nós não somos melhores ou piores do que as outras entidades de qualquer outro setor, é porque a codificação legal do país assim o diz. Assim, é preciso que os médicos entendam isso, que possam se agregar, nos seus locais de trabalho, nas associações hospitalares, que se façam representar através dos seus sindicatos constituídos. São 53 sindicatos espalhados por todo o país, e sempre um conglomerado de médicos vai estar próximo a um sindicato. Então, modifiquem, invertam caminhos, se façam presentes nos sindicatos, nas demais entidades, debatam as questões.

E o Sr. considera que o trabalho das regionais também vai ser fundamental nesse sentido?

Sim, o trabalho das regionais da FENAM é fundamental. Quando a gente diz sindicatos próximos, evidentemente que as regionais da FENAM, em suas respectivas áreas geográficas, já exercem uma função de agregação muito importante. E essa função de agregação é o fortalecimento dos sindicatos de base, portanto é importante que exista essa aproximação, esse diálogo cada vez mais intenso, mais próximo. Se nós fortalecermos as entidades médicas, fortalecermos os sindicatos médicos, e, consequentemente, a FENAM, tudo isso sobre o qual falamos anteriormente vai nos levar a ter mais facilidade para encontrar as soluções. Deixo uma mensagem de agradecimento, de otimismo e de chamamento. Vamos nos agregar no sentido de que possamos fortalecer as nossas entidades e naturalmente com o maior destaque para o sindicalismo brasileiro.
Fonte : Denise Teixeira/FENAM



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