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Grande Natal perderá 20% dos leitos de UTI



29/07/2011
A rede de saúde da Grande Natal vai perder 10 leitos de UTI neonatal a partir da próxima segunda-feira, com o fechamento da Maternidade Divino Amor, em Parnamirim. O número corresponde a 20% da quantidade disponível nos hospitais e maternidades que recebem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Este não é o único problema na maternidade de Parnamirim. Desde a semana passada, mais da metade dos leitos de obstetrícia estão desativados. Mofo e infiltrações já aparecerem em boa parte do prédio inaugurado há menos de três anos.

Em média, foram realizados 1.400 procedimentos, por mês, no primeiro semestre deste ano na maternidade. A unidade é referência no Estado e recebe pacientes de vários municípios. Porém, os pacientes vêm sofrendo com constantes greves dos médicos e servidores do local. Além disso, problemas estruturais começam a surgir. Duas enfermarias localizados no térreo da maternidade estão desativadas há mais de uma semana. "O problema aconteceu por causa das chuvas dos últimos meses. Houve uma infiltração e acabou criando mofo", diz João de Brito Júnior, diretor administrativo da unidade.

O problema é logo percebido por quem entra na enfermaria localizada no térreo. O cheiro de mofo é forte. As paredes e teto estão manchadas de preto. Por causa desses problemas, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da maternidade decidiu fechar o local. Com isso, 24, dos quarenta leitos de obstetrícia, estão desativados. "Isso atrapalha nosso serviço. Felizmente, atualmente, não estamos lotados", diz a chefe de enfermagem Carmem Lúcia.

Segundo Brito Júnior, uma empresa já foi acionada para realizar obras de reparos no local afetado pelo mofo e infiltração. "A previsão que nos deram é a de que tudo estará resolvido daqui a 15 dias", alega.

O problema de estrutura pode ser resolvido em breve, porém, a direção da Maternidade Divino Amor precisa resolver outra questão: o destino das seis crianças que estão na UTI neonatal. Com capacidade para receber dez recém-nascidos, a Unidade de Terapia Intensiva neonatal da maternidade será desativada na próxima segunda-feira, quando os médicos deixaram de atender na unidade. A médica Tânia Maruoka, que trabalha no setor, apresentou um relatório à direção da maternidade e faz um alerta. "Das seis crianças, quatro correm grande risco se forem transferidas. Não sei para onde vão encaminhá-las, não há leitos disponíveis em Natal", revela.

"Os hospitais estão lotados. Já teve caso de um hospital privado solicitar uma vaga de UTI pra gente. É um momento delicado que precisa de atenção por parte dos gestores", diz a médica Tânia Maruoka. Dos seis bebês que estão na UTI da maternidade, duas são consideradas prematuras ao extremo (nascidas com apenas 26 semanas de gestação) e duas estão há mais de cinco meses internadas na unidade.

Rede pública em Natal está saturada

Receosos com a perspectiva de fechamento da Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, diretores das duas principais unidades obstétricas de Natal, a Maternidade Januário Cicco e o Hospital Santa Catarina, revelaram preocupação com o impacto que seria causado pela perda do hospital. Por falta de médicos, a Divino Amor pode ter seu atendimento inviabilizado por falta de profissionais para compor as escalas de plantão.

Insatisfeitos com o andamento das negociações salariais com a prefeitura de Parnamirim, os profissionais que ali atuam já começaram a se organizar para deixar o serviço no próximo dia 1º de agosto. O efeito dessa debandada preocupa a diretora administrativa da Maternidade Januário Cicco, Sônia Barreto, que teme sobrecarga de pacientes para as unidades da capital.

"Já estamos acostumados a operar acima da capacidade, mas receber também toda a demanda de pacientes da Divino Amor seria impossível. Além de sobrecarregar nossos profissionais, sofreríamos com a falta de insumos e não seríamos capazes de realizar os atendimentos com dignidade", disse. De acordo com ela, o hospital, que tem capacidade para 90 leitos, já chegou a operar com 115 durante a greve na unidade de Parnamirim, deflagrada no dia 13 de junho.

Suspensa há cerca de duas semanas, a paralisação dos médicos da Divino Amor provocou reflexos negativos no funcionamento da maternidade de Natal. Segundo observa a diretora, durante este período, a Januário Cicco foi obrigada a interromper todas as cirurgias ginecológicas eletivas para se dedicar exclusivamente ao atendimento às gestantes. "Agora é que estamos normalizando a situação e retomando as cirurgias, não podemos correr o risco de passar por isso novamente", comentou.

Durante a manhã de ontem, a maternidade funcionava com pelo menos 10 leitos a mais que sua capacidade habitual. Havia superlotação nos setores de enfermaria, pré-parto e alto risco, com pacientes instalados em locais improvisados como poltronas, sofás e macas nos corredores. De acordo com a diretora Sônia Barreto, a razão para o número excessivo de pacientes é a falta da oferta de atendimento obstétrico em cidades do interior do estado.

"O fato de excedermos os leitos com pacientes de outros municípios é normal, no entanto, não significa que temos capacidade para absorver, por exemplo, a demanda de um hospital como o Divino Amor, que por sua vez, já é uma unidade que atende diversos outros municípios além de Parnamirim", afirmou.



O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN) vai enviar hoje um ofício ao Conselho Regional de Medicina do estado (Cremern) solicitando a intervenção ética na Maternidade Divino Amor. Além disso, os médicos encaminharam à Promotoria de Defesa da Saúde de Parnamirim um documento explicando a situação atual da unidade de saúde. Em reunião realizada ontem à noite, na sede do Sinmed/RN, os obstetras e pediatras da maternidade reafirmam a decisão de parar o atendimento a partir da próxima segunda-feira. "Não estamos nos afastando do trabalho, estamos sendo afastados pela administração da maternidade", ressalva Geraldo Ferreira, presidente do sindicato.

O impasse entre os médicos e a Prefeitura de Parnamirim começou no mês passado. Os médicos exigem que o valor pago por cada plantão sofra um reajuste de 41,66%, passando de R$ 600 para R$ 850. Médicos e gestores não chegaram a um acordo. Com isso, a partir de agosto, somente os médicos efetivos continuariam atendendo na unidade. Porém, segundo o Sinmed/RN, há apenas 16 obstetras e 6 pediatras efetivos na maternidade. "Esse número não dá para cobrir a escala de um mês. O Cemern não aceita escalas incompletas", diz Ana Teresa, chefe de obstetrícia da unidade. Mais 16 obstetras e 20 pediatras atendem na maternidade sob regime de contrato.
Fonte : Tribuna do Norte



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