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DF: capital vive colapso no SAMU



04/10/2011
Uma das poucas iniciativas em saúde pública que obteve êxito nos últimos anos no Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode deixar de funcionar no Distrito Federal por falta de pessoal. Dos 86 médicos que atuam no Samu, apenas seis são contratados. Os demais são servidores lotados nas regionais de saúde e que só atuam no Serviço cumprindo horas extras.

Caso as determinações sobre limitação na prestação de horas extras e intervalos mínimos entre jornadas previstas para entrar em vigor a partir de 1º de outubro não sejam alteradas, essa é será também a data do fim do Samu-DF. O problema de escassez de mão de obra atinge também enfermeiros, auxiliares e condutores.

Segundo o gerente do Samu-DF, Rodrigo Caselli, o Serviço recebe, em média, 20 mil ligações por mês. Os chamados são atendidos por uma frota composta de 30 ambulâncias padrão, sete avançadas e 22 motos. Desde a inauguração, há seis anos, as 37 ambulâncias nunca funcionaram simultaneamente. O Samu também tem dado cobertura à carência de serviço de ambulância nas unidades de saúde. Têm sido realizadas 15 remoções diárias (450 por mês) de pacientes em estado grave – não há como atender todos os pedidos.

Para funcionar a contento no DF, o Samu precisaria de um quadro de 1,2 mil servidores entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e condutores. Atualmente o quadro é misto, os contratados (por meio de concurso público realizado em 2008) são 400, os demais são os que cumprem horas extras.

Serviço diminui demanda por hospitais

Os médicos a serviço do Samu-DF dividem-se em equipes que trabalham na regulação e nas ambulâncias. De sete que deveriam estar circulando nas unidades móveis de socorro a cada turno, no dia a dia a dia esse quantitativo varia de quatro a um profissional médico – um único médico nesse serviço é a situação mais comum.

O transporte de pacientes entre hospitais é uma atividade secundária do Samu, mas no DF tornou-se praxe desviar as unidades avançadas para essa finalidade. O socorro em locais públicos, que é a prioridade fica desfalcado. A falta de informação sobre o modus operandi e proposta do Samu pela Secretaria de Saúde (SES/DF) ainda provoca atrito entre os profissionais lotados nas unidades de saúde convencionais e os que atuam no Samu – muitos reclamam da falta de atenção às remoções.

Na regulação, deveria haver seis médicos por turno, mas as escalas não fecham com o número adequado. Não é raro os médicos deixarem de fazer os intervalos recomendados pelas boas práticas de saúde laboral, uma vez que não há quem assuma a posição. São horas e horas em frente a monitores antigos, de tubo ainda – do tipo em que a imagem treme e a emissão de radiação é maior. "Do total de ligações que recebemos 40% dos casos são resolvidos por telefone, sem que o paciente tenha de sair de casa, o que diminui a demanda pelas emergências dos hospitais", conta Caselli.

Ambulâncias preservadas e sede condenada

Em visita à sede do Samu-DF, no dia 8 de setembro, encerrando a programação do projeto SindMédico na Cidade, membros da diretoria do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), verificaram que nem mesmo ali as condições de trabalho são adequadas – falta espaço. Ao que se sabe, o prédio que o Samu-DF ocupa no Setor de Indústrias e Abastecimento (SAI) está condenado. A situação é pior ainda nos pontos de descanso das equipes itinerantes. A mudança já foi pedida, mas até agora não se efetivou, apesar de metade do financiamento do Samu-DF vir da União – não é dinheiro que falta.

A vida média de uma ambulância em uso como feito pelo Samu é de três anos. O Samu-DF conseguiu conservar 10 delas por seis anos. Ainda estão em perfeito estado, mas a manutenção ficou cara. Por isso serão doadas – a fila de candidatos a recebê-las é longa: de cidades do Entorno e do Nordeste até cidades do Sudeste e do Sul do país. Uma valorização ao Samu que contrasta com o que se vê no DF.

"Não bastasse o caos que já existe nos hospitais pela falta de médicos e que tende a piorar ainda mais com cortes de horas extras e com a imposição de um intervalo maior entre uma e outra jornada de trabalho dos médicos da rede pública, uma boa iniciativa vai simplesmente se tornar inviável em função de problemas de gestão", lamenta o presidente do SindMédico, Gutemberg Fialho. "Esperamos que os gestores da Secretaria de Saúde tenham a sensibilidade e a agilidade necessária para evitar esse dano", completa.

Mesmo uma eventual contratação emergencial de profissionais temporários não seria um paliativo adequado. Além de experiência, os profissionais do Samu precisam de treinamento constante. Só para começar a trabalhar o treinamento inicial é de 150 horas
Fonte : Sindmédico/DF



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