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A morte como preço


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A morte como preço



23/04/2012
O capitalismo é o sistema econômico que leva até as últimas consequências seu objetivo de maximizar o lucro. Dos superados Fordismo e Toyotismo à atual “Qualidade Total” e suas variantes o sistema tem sempre o objetivo de aumentar a produtividade. Sempre à custa do trabalho.

A terceirização é uma das estratégias atualmente utilizadas para este fim. A lógica é o capitalista se concentrar no seu negócio e repassar, para outros capitalistas, atividades necessárias ao processo de produção, mas que não são o cerne do negócio. Todo mundo se concentrando no seu “negócio”, portanto, se especializando, todos tendem a ganhar. Ganhar em cima do trabalho, como já disse.

Trazido para o setor hospitalar, a terceirização entrou pela segurança, manutenção, serviços gerais, transporte e, eventualmente, a nutrição. O judiciário entendeu que aí estava o limite. Na saúde a terceirização não poderia chegar às atividades fim. Já na ilegalidade – e sem reação do aparelho de estado – a prática enveredou para o laboratório, entrou no diagnóstico por imagem, bateu as portas da UTI e, em muitos grandes hospitais, fatiou todos os serviços. Cada clínica tem uma “empresa” responsável.

O trabalhador médico é o principal insumo da terceirização da atividade fim em um hospital. Os médicos, picados pela mosca azul, caíram como patinhos. Além de trabalhar para as terceirizadas abrindo mão dos mais elementares direitos sociais, saltam de um plantão a outro esgotando sua capacidade de trabalho, saúde e qualidade de vida. Chegam até a constituir pessoas jurídicas individuais com este fim.

A morte do filho de Flavio Dino, presidente da Embratur, decorrente de uma crise asmática, pode trazer luz a uma prática que além de exaurir os trabalhadores – médicos ou não - coloca em risco a vida de quem busca os serviços a fim de recuperar sua saúde. Na dor da perda o pai busca explicações. Tenta identificar responsáveis e processos que possam ter contribuído para ceifar a vida de seu filho. Como resultado, bateu as portas do Ministério Público do Trabalho pedindo que a instituição faça uma avaliação minuciosa tanto nas terceirizações quanto na jornada e vínculos de trabalho dos médicos.

Há anos as entidades médicas, particularmente, o movimento sindical, denunciam esta situação, inclusive para o Ministério Público do Trabalho. O adoecimento na categoria médica é altíssimo. Somos campeões de divórcios e vice-campeões em índice de suicídio. A qualidade de vida dos médicos é péssima. Trabalhamos, na profissão, em média, durante 43 anos. Os vínculos de trabalho de grande parte dos integrantes da categoria são precários. Contratos “de boca”, planilha, contrato temporário, RPA, falsas cooperativas, cooperativas verdadeiras, plantões extras, pessoa jurídica e tudo o mais que possa diminuir a carga tributária e responsabilidades financeiras dos contratantes.

Não é diferente para as terceirizações de serviços. Os médicos denunciam há anos a irresponsável e prejudicial terceirização de hospitais e serviços de saúde. Sim, porque a prática já chegou até à atenção primária! Tudo com o beneplácito e incentivo de gestores públicos e silencio do judiciário.

Asma não é uma afecção simples como pensa o senso comum. É grave e não raro mata. Fico triste e consternado com a morte de uma criança, vítima da afecção, em um grande hospital privado de Brasília. E mais triste ainda por constatar que pode ter sido necessária a perda da vida de um inocente para que as autoridades públicas do meu país acordem e deem um basta na prática nefasta da terceirização das atividades fim no setor saúde.
Fonte : Waldir Cardoso



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