Sindicatos Médicos:

 
Você não está logado
Entrar | Cadastrar




Palavras-chave

DF: deserto da saúde


Foto: SindMédico-DF
DF: deserto da saúde
Para atender uma população de 150 mil habitantes há apenas 13 cirurgiões.


10/05/2012
Na tarde desta última segunda-feira (07), não havia sequer uma criança aguardando atendimento no Hospital Regional de Samambaia (HRSAM) ou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. À primeira vista esta seria uma notícia excepcional. Infelizmente não é mais que o reflexo do vácuo administrativo na saúde pública do Distrito Federal: o pronto socorro pediátrico do hospital foi desativado há uma semana e somente uma médica – clínica – cuidava de três pacientes graves na sala vermelha da UPA.

“A ausência de filas significa, pura e simplesmente, falta de assistência á população”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho. Acompanhado de diretores da entidade, Fialho visitou as duas unidades de saúde e encontrou essas e outras irregularidades. Logo na entrada a equipe deparou com um dos dois elevadores quebrados. Um deles servia para transporte de cadáveres, lixo, roupas sujas e material usado. Na falta dele, esses itens contaminados transitam pelo mesmo compartimento por onde passam pacientes, alimentos e material estéril.

150 mil desassistidos

Para atender uma população de 150 mil habitantes há apenas 13 cirurgiões. Com tão pouco pessoal, os atendimentos eletivos foram suspensos. Na especialidade de clínica médica é comum encontrar apenas um médico de plantão nas quartas-feiras. Havendo dois casos de parada cardíaca, por exemplo, o médico se vê diante da situação de escolher quem vive e quem morre.

Nesta segunda-feira havia 35 pacientes para serem atendidos por apenas uma médica – nove deles em leitos de emergência e 26 internados graves. São 11 os clínicos no hospital, pois seis desistiram de trabalhar na unidade. O preenchimento das escalas era feito com horas extras dos médicos que atuam na Estratégia Saúde da Família (ESF), mas foram desviados para a Unidade de Pronto Atendimento – o número de profissionais é insuficiente.

Os setores que efetivamente funcionam no HRSM são a ginecologia e a neonatologia. Funcionam, mas com estrutura aquém da demanda. Os números ali não fecham equação: no centro obstétrico, onde o condicionador de ar não funciona, são realizados 10 partos diários (em média), mas existem apenas seis leitos para pacientes pré e pós-parto. Quem não tem leito, fica pelos corredores ou no chão.

Com nove neonatologias, a equipe não tem chefia – ninguém quer o cargo. Não raro, um único profissional do plantão noturno atende pacientes internados graves, partos cesarianos e emergências. O hospital não tem UTI neonatal em funcionamento, tem apenas os aparelhos que permitiram funcionar.

Humanização às avessas

A gestão central da Secretaria de Saúde decidiu implantar o programa Rede Cegonha no Hospital Regional de Samambaia. O fato foi anunciado aos obstetras e neonatologistas. Audacioso, o projeto prevê o aumento de 300 para 400 partos mensais em uma linha de produção que não contempla ampliação de equipes, nem adequação de estrutura física para mães e bebês logo antes e logo após o parto. É a versão do GDF para o “parto humanizado” preconizado pelo programa. Pacientes de curetagem e cesariana terão de ser alocados em leitos do centro cirúrgico. Salve-se quem puder.

Na Unidade de Pronto Atendimento, além de médicos e medicamentos para entubar e sedar pacientes, faltam os próprios pacientes. A população deixa de acreditar que vai ter assistência na cidade e procura outras (já saturadas) unidades de saúde. É o retrato da falência gerencial.

“Tanto o fechamento da emergência pediátrica no HRSAM quanto a falta de médicos para fechar as escalas na UPA são infrações do acordo assumido pela Secretaria de Saúde para a suspensão da interdição ética há pouco mais de um mês”, diz Gutemberg Fialho. “Só nos resta apresentar nova denúncia ao Conselho Regional de Medicina e ao Ministério Público, órgãos aos quais cabe cobrar providência da Secretaria de Saúde, e, se for o caso, responsabilizar administrativa e legalmente os gestores da saúde do Distrito Federal”, informa.

Não fosse pouco, os médicos do HRSAM não têm estacionamento. Seus carros são alvo de furto e eles mesmos estão expostos à violência e às multas distribuídas fartamente pelo Detran.
Fonte : SindMédico-DF



Avalie este conteúdo
Se você achou esse conteúdo interessante deixe seu voto clicando no botao "gostei". Os conteúdos melhor avaliados ficam em destaque para os outros usuários.


Este conteúdo tem 673 visitas

Para votar, você precisa estar logado no site.


Comentários


Deixe seu comentário






Digite as letras que você vê na imagem ao lado:



Interatividade FENAM
Nossos canais na Web 2.0
 
Informativo eletr�nico
Cadastre-se e receba por email as not�cias da FENAM




Enquete

Você é filiado ao seu sindicato?


Não
Sim
Opa, selecione uma op��o.









Caso seja mais de um amigo, separe os emails por vírgula.

Para votar, você precisa estar logado no site.


Desenvolvimento: RBW Comunicação |
© Federação Nacional dos Médicos - FENAM (2008)