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DF: medo e desassistência


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DF: medo e desassistência



22/05/2012
Medo e sobrecarga de trabalho são os problemas enfrentados pelos médicos e demais profissionais da saúde lotados na Unidade Mista de Saúde de São Sebastião (UMSS), visitada pela diretoria do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), na tarde da segunda-feira, 14 de maio. A recuperação física do prédio não mudou a rotina de sacrifício dos profissionais, nem melhoria real na assistência aos moradores da cidade.
Com população que cresce a uma taxa de 4,68% ao ano e número de habitantes (100,7 mil) mais próximo ao de Santa Maria (116 mil) que ao do Paranoá (53 mil) – dados do anuário estatístico de 2011 da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) –, é uma das cidades do DF que oferece pior serviço de saúde aos moradores. Qualquer atendimento de maior complexidade tem de ser encaminhado ao hospital de referência, que o Hospital Regional do Paranoá (HRPa) ou ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) – o deslocamento mínimo é de aproximadamente 24 quilômetros, 20 minutos com trânsito bom.

Pediatras sobrecarregados

A unidade de saúde local dispõe de atendimento de emergência apenas nas especialidades de clínica médica e pediatria. Ali também existe uma casa de parto, que é serviço que oferece suporte mínimo à parturiente, supostamente sem o auxílio de um profissional médico – uma proposta que proporciona economia que aumenta os riscos nos partos, que são realizados na cidade (um a cada cinco horas e meia).
As escalas da clínica médica não fecham. No momento da visita, por exemplo, não havia clínicos no plantão – ocorrência comum nas segundas-feiras, dia em que a unidade fica sem clínicos durante 24 horas ininterruptas. A enfermagem, que faz um trabalho de triagem, encaminha aos pediatras no plantão os casos graves de adultos. Especializados no atendimento a crianças, esses profissionais sequer são atualizados em clínica médica para fazer os atendimentos, embora não se recusem a prestar socorro. Isso, no entanto aumenta as possibilidades de erro e de acusações de negligência, imperícia ou imprudência médica.
Atualmente, a equipe da pediatria é composta por oito médicos concursados e dois com contratos temporários. As escalas de plantão só fecham com o uso de horas extras – 650 por mês. Além dos adultos em estado grave, os pediatras acompanham procedimentos na casa de parto. Apesar de a proposta do serviço seja não haver médicos, caso haja qualquer problema no parto, o médico que estiver no ambiente pode ser responsabilizado por deixar de prestar socorro. Segundo o resumo dos serviços médico-hospitalares prestados pela Secretaria de Saúde do DF em 2011, ali foram feitos 315 partos naturais em 2011.Equipada com aparelho de Raios-X a UMSS o serviço não funciona em tempo integral por haver apenas três técnicos em atividade na unidade.

Insegurança crônica

A falta de segurança é um problema que aflige a equipe da UMSS há anos. Em uma vizinhança violenta, sem um posto policial nas imediações e uma estrutura física que não dificulta a circulação de pessoas indesejáveis, até agressões físicas já foram registradas contra médicas. As ocorrências já foram informadas à SES/DF.
Em março deste ano, as duas pediatras em um plantão noturno tiveram de transportar, em duas ambulâncias diferentes, três pacientes baleados. A primeira, do Samu, saiu sem escolta porque um dos pacientes corria risco de morte. No caminho, o condutor foi obrigado a procurar um posto policial, pois estavam sendo perseguidos. Nos dias seguintes a equipe foi informada de que, durante toda aquela noite, indivíduos suspeitos rondaram a unidade. O estresse diário aumenta mais ainda pelas ocorrências violentas.

Estatísticas desprezadas

Grande parte dos atendimentos são encaminhados para o HRPa. Incomoda os médicos da unidade esse encaminhamento, pois a maioria dos moradores da cidade depende de transporte público – nos dias úteis eles têm ônibus entre as duas cidades apenas de hora em hora, a partir das 16h, até as 21h. Nos finais de semana, a partir das 8h30, a circulação é de apenas um veículo a cada uma hora e dez minutos e às 19h é suspenso.
Segundo a Secretaria de Saúde, na saturada estrutura de saúde de São Sebastião as consultas e atendimentos realizados em ambulatório correspondem a 55% das consultas e atendimentos realizados no Paranoá. Os atendimentos emergências correspondem a apenas 29%. No total, as ocorrências registradas em Sebastião correspondem a 38% do que foi registrado em 2011, embora a população de São Sebastião seja 188% maior que a do Paranoá.

"Essa é uma contabilidade que não fecha. Os médicos estão trabalhando além do limite, sem segurança profissional e sem garantias de integridade física e moral. E a população está sem assistência", aponta o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho. "Mesmo considerando uma projeção de futuro, os moradores de São Sebastião não podem ficar descobertos no presente", afirma.
Com o programa de expansão habitacional em andamento na região, São Sebastião terá 30 mil novos moradores nos próximos meses, sem a devida adequação da estrutura de assistência à saúde para acolher essas novas famílias.
Fonte : SindMédico- DF



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