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Saúde em crise: 270 leitos fechados nas unidades públicas de Santa Catarina



04/06/2012
Abraço à Saúde chama atenção do governo para a falta de recursos humanos. Emergência do hospital infantil Joana de Gusmão tem um médico de plantão dependendo do horário.

A falta de recursos humanos para a saúde é o foco da mobilização dos representantes e servidores da saúde que no dia 6 de junho, das 10 às 12h30, realizarem o Abraço à Saúde catarinense no hospital infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Levantamento realizado pelos sindicatos da área de saúde aponta que pelo menos 270 leitos estão desativados nos hospitais estaduais por falta de recursos humanos. No hospital infantil da capital, por exemplo, dos 184 leitos, 80 estão fechados.

O SindSaúde/SC contabilizou que o número de vagas necessárias para suprir a carência pessoal é de pelo menos três mil. Porém, apenas 290 vagas do concurso realizado em abril foram homologadas e os profissionais ainda aguardam o chamado do governo para ocupar as vagas nos hospitais. Com o déficit de pessoal o número de cirurgias e procedimentos tem sido reduzido consideravelmente em todas as unidades estaduais de saúde.

"Nos primeiros quatro meses do ano foram realizados no hospital infantil 1.998 procedimentos no centro cirúrgico, a emergência atendeu 24.936 pacientes e o ambulatório prestou 23.291 atendimentos. Da maneira como está os servidores trabalham com muita dificuldade e limitação", esclarece o presidente do SindSaúde/SC, Pedro Paulo das Chagas.

Segundo o presidente do SIMESC, Cyro Soncini, há momentos em que somente um médico está de plantão, sobrecarregando toda a equipe. "Temos ouvido relatos absurdos de que em alguns momentos é preciso escolher quem será atendido. É o que chamamos de ‘medicina de guerra’. Nos primeiros quatro meses do ano a média de atendimento na emergência do infantil foi de 207 pacientes por dia sendo que só em abril essa média foi de 215 pacientes/dia", afirma.

Para o presidente do SIMESC, o problema enfrentado pelos profissionais e pacientes do hospital infantil é um reflexo do caos da saúde no Estado. "O Abraço à Saúde catarinense é uma forma de fazer o governador ver que a saúde não está em primeiro lugar. Os servidores estão realizando uma jornada de trabalho inaceitável para não deixar a população desassistida. O infantil é um hospital que ainda se mantém como referência porque os servidores estão empenhados nesse trabalho", acrescenta Cyro.

"Ninguém o obrigou a ser candidato"
O presidente do SIMESC lembra que o concurso público tem um rito a ser cumprido e que o governo não pode demorar ainda mais para realizar as contratações. "E não adianta chamar 10 se precisamos de 100. Tenho certeza que a tarefa do governador é muito difícil. Mas ninguém o obrigou a ser candidato. E o que ele disse em campanha? ‘A saúde em primeiro lugar’, logo a prioridade é deixar outras coisas para trás e resolve a saúde!", diz Cyro Soncini.

Situação crítica
O presidente da Associação Catarinense de Medicina (ACM) e coordenador do Conselho Superior das Entidades Médicas (COSEMESC), Aguinel Bastian Júnior lembra que boa parte do problema enfrentado hoje pelos hospitais na capital poderia ser resolvida se os municípios tivessem condições de bancar a saúde. "Isso desoneraria, por exemplo, a emergência do infantil. Um problema de saúde na esfera municipal repercute de forma importante no atendimento estadual".

O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (CREMESC), Vicente Pacheco de Oliveira lembra que quem transita pelas unidades de saúde da Grande Florianópolis ainda observa o grande fluxo de veículos das prefeituras do interior. "O que se deduz é que efetivamente essas prefeituras não investiram em saúde até porque alguns investimentos são pesados. Deveriam ser estimulados os consórcios de prefeituras para que evitássemos que pacientes chegassem ao infantil, ao Celso Ramos. Muitos dos pacientes que percorrem grandes distâncias poderiam ser atendidos mais próximo de casa", sugere.

Vicente lembra também que os profissionais chegam para trabalhar preocupado. "Temos problemas do ponto de vista técnico, ético e físico. Como sair para o trabalho sabendo que estará sozinho para atender os pacientes? Isso refletirá no restante da equipe que está no plantão".

Quem é o vilão?
Cyro Soncini lembra que grandes prefeituras investem acima do que determina a lei na saúde pública. "Temos que ser justos. Florianópolis investe mais de 15% assim como o governo investe os 12%. Mas isso não quer dizer que estamos bem porque temos um grande vilão que é o governo federal que não repassa a porcentagem e também mantém defasada a tabela do SUS. Como é possível manter a estrutura de saúde se não há investimento?", questiona.

Segundo Aguinel Júnior, há municípios em Santa Catarina que investem até 30% na saúde, porém, os custos aumentam e a tabela do SUS segue defasada. "Se a União investisse os 10%, os municípios 15% e o governo 12% de seus recursos, quem sabe teríamos uma saúde de qualidade? Falta financiamento para a saúde. É um contexto complexo para pontuarmos um ou dois problemas de ordem só gerencial. Há problemas de equipamentos, de estrutura física, não há dúvidas. O que vivemos de mais grave é a falta de recursos humanos", acrescenta.

O presidente do Sindicato dos Médicos alerta de que Santa Catarina não precisa de mais estrutura física. "Precisamos colocar o que tem para funcionar. Pacientes e servidores estão expostos ao estres. Os servidores ao risco ético profissional por estarem trabalhando em condições precárias", encerra.
Fonte : SIMESC



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