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DF: Hospital Regional de Ceilândia retrata a tragédia da saúde pública


Foto: Sindmédico/DF
DF: Hospital Regional de Ceilândia retrata a tragédia da saúde pública
A impressão é a de que a assistência pública à saúde da população está desmoronando.


08/06/2012
Qualquer pessoa sadia sente-se doente ao entrar no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). A sensação é de que a energia vaza pelos poros e a impressão é a de que a assistência pública à saúde da população está desmoronando. No desastre que se encena na emergência do hospital, os corpos se acumulam em qualquer direção que se olhe. São adultos, crianças, idosos, homens e mulheres, amontoados em leitos, macas, cadeiras e até mesmo pelo chão.

Não há sequer um corredor da emergência que não seja tomado por pacientes da ortopedia aguardando cirurgias. A média de espera por cirurgia está em torno de 15 dias, pela falta de anestesiologistas. A demora aumenta as probabilidades de morbidade e de sequelas. O quadro que a equipe de diretores do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) viu no HRC, na tarde de 4 de junho, é desolador.

Os pacientes e familiares acampam nos corredores, ali se alimentam, improvisam tendas onde trocam roupa, fazem a higiene pessoal e, em muitos casos, evacuam e urinam por não poderem se locomover. Em alguns locais, os odores adocicados de medicamentos e doença se mesclam com suor e fezes.

Morte com plateia

O box de emergência se transformou em unidade intermediária de tratamento, quase uma UTI sem o devido isolamento. Nessa tarde, quatro dos cinco leitos existentes estavam ocupados por pacientes crônicos em crise. No momento em que a equipe passou, eles assistiam ao médico de plantão tentando reanimar um paciente com parada cardiorrespiratória – um quadro ainda mais medonho para quem teme a própria morte.

Os ortopedistas se distribuem nos plantões vespertino e noturno com três plantonistas. Pela manhã, há, em geral, dois ou um. Os pacientes são atendidos em cubículos sem ventilação, sentem-se em cadeiras sem encosto. Muitas vezes, os médicos passam horas nesses assentos.

Existem apenas 16 clínicos atuando no HRC – número insuficiente para fechar as escalas semanais. Dos sete últimos contratados, apenas um ficou. Os outros não suportaram a rotina da unidade de saúde. Na falta dos clínicos, são os ortopedistas e cirurgiões os que atendem as urgências. Não raro, um único médico tem de realizar as visitas diárias e prescrição dos pacientes internados no OS, tanto da clínica médica quanto da ortopedia.

Muitos pacientes são levados de Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto para o hospital em Ceilândia. O procedimento das equipes que os trazem em ambulâncias tem sido deixa-los na porta do HRC, sem aguardar qualquer avaliação ou encaminhamento. Se a remoção é necessária, o mais comum é recorrer ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), porque os veículos da unidade de saúde estão sucateados ou sem combustível. Não raro, os médicos que acompanham os pacientes são simplesmente deixados nas unidades de destino, sem condução de volta ao HRC.

Médicos se queixam de problemas com equipamentos como Raios-X e insuficiência de outros como eletrocardiogramas e oxímetros. A falta de filmes de R-X, de reagentes para exames e material de sutura também são queixas dos profissionais.

O Centro Obstétrico não tem classificação de risco. Dois médicos atendem a porta e três atuam nas salas de parto. Faltam enfermarias adequadas para casos como o de portadoras de câncer. Mesmo sem o contingenciamento das horas extras, elas não seriam suficientes para fechar as escalas de plantão.

Nem crianças são poupadas

Na pequena antessala de espera da pediatria, duas crianças dormiam sobre mantas colocadas no chão, por volta das 16h. As mães relataram quem aguardavam atendimento desde as 11h. Sala de espera lotada, essas mães eram apenas duas entre 89 que aguardavam atendimento para seus filhos. A demora no atendimento chega a sete horas.

A classificação de risco da pediatria funciona até as 22h e, segundo relatado, tem um papel relevante no funcionamento do setor. Quando encerra as atividades, o atendimento fica tumultuado. Pais impacientes chegam a agredir médicos e demais servidores. A triagem é feita pelos vigilantes que controlam a porta.

“Chega a ser assustador ver vários médicos, servidores e a maioria dos pacientes passarem a encarar o estado do HRC como parte de uma rotina, como uma coisa normal. Muita gente nem se abala com a indignidade e as condições sub-humanas a que profissionais da saúde e pacientes são submetidos ali”, declara o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.
Fonte : Sindmédico/DF



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