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ES: em um hospital público faltam leitos para atendimento à população enquanto no outro sobram vagas



09/10/2012
Dois hospitais que funcionam em uma mesma estrutura, convivem com realidades diferentes: enquanto o São Lucas – maior unidade especializada em trauma do Estado – sofre com superlotação diária, com leitos ocupados no limite e pacientes no corredor, o Hospital da Polícia Militar (HPM), que possui 66% a mais de capacidade, realiza 48% a menos de cirurgias e 37% a menor de internações por mês.

Com 75 leitos, o São Lucas realiza o dobro de cirurgias. São 330 por mês, enquanto o HPM, onde funcionam 125 leitos, faz 170 procedimentos no mo mesmo período, o que corresponde a cinco ou seis cirurgias por dia.

O HPM também não faz atendimentos de urgência ou mais complexos. Até quando policiais sofrem um acidente mais grave os primeiros atendimentos e toda a cirurgia é feita no próprio Hospital São Lucas, para depois o militar ser transferido para o HPM.

Perda de leitos

Em junho de 2010, o São Lucas foi transferido de forma provisória para o HPM, para que a reforma do novo hospital ficasse pronta em um ano. Mas as obras atrasaram e só serão concluídas no segundo semestre de 2013.

Desde a transferência, o hospital perdeu a metade dos seus leitos: os 150 foram reduzidos para os atuais 75. Para agravar ainda mais a situação, leitos também foram fechados em outras unidades como o Hospital das Clínicas (Hucam), que está com 120 vagas desativadas.

Crise

O São Lucas sempre enfrentou problemas sérios de lotação e, em setembro deste ano, o atendimento chegou novamente ao limite. No dia 16, médicos interditaram salas e suspenderam cirurgias alegando a superlotação da unidade. Mesmo após remoções de pacientes feitas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o hospital continuava lotado.

Diante das denúncias, o Sindicato dos Médicos solicitou ao Conselho Regional de Medicina (CRM) a intervenção ética na unidade, mas o conselho a descartou. O CRM optou por dar prazo de 90 dias para a Sesa fazer adequações no São Lucas e, se nada for feito, o Sindicato dos Médicos ameaça pedir ao Ministério da Saúde uma intervenção no Estado.

As condições precárias do São Lucas foram denunciadas na internet por um neurocirurgião que atua há 20 anos no hospital. Paulo Roberto de Paiva desabafou na rede social Facebook sobre a superlotação e a falta de higiene no hospital. Ele relatou a presença de moscas em centro cirúrgico e disse que o local era o "rascunho do inferno".

Perfil

60 pacientes
É a quantidade de pessoas que chegam a ficar no corredor do São Lucas em dias de lotação

Leitos
O HPM possui 66% a mais de capacidade de atendimento que o São Lucas. São 125 leitos para os militares, contra 75 no São Lucas

Mês
Enquanto no São Lucas são feitas 330 cirurgias todo mês, o HPM realiza, no mesmo espaço (três salas cirúrgicas), 170 – uma média de 5 a 6 procedimentos por dia. Isso corresponde a 48% menos de cirurgias. O HPM também não faz atendimento de urgência ou procedimentos mais complexos

Pacientes
O HPM realiza menos 37% de internações em relação ao São Lucas. São 344 internações/ mês, contra 550 no São Lucas

Números
São 5 mil atendimentos por mês no São Lucas. A diretoria do HPM também afirma que a média mensal é de 5 mil registros ambulatoriais


Militares planejam modernizar unidade

O Hospital da Polícia Militar (PM) também pode passar por completa reestruturação. A proposta é da Diretoria de Saúde da unidade, que elabora um projeto de modernização, com ampliação e reforma de toda a estrutura hospitalar.

A diretoria não informou detalhes do projeto, como custos e previsão para obras. Segundo a PM, o prédio é antigo e precisa ser reformado. A construção do HPM começou em 1981 e a inauguração aconteceu 11 anos depois, em 1992. Até dezembro de 1995, o HPM funcionava com 30% da capacidade. Por determinação do governo, em 1996 o São Lucas foi transferido, pela primeira, vez para o hospital, e permaneceu lá até outubro de 1999. O retorno aconteceu em 2010.

O hospital afirma que o atendimento não é restrito aos militares, mas também aos civis, devido às vagas destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). No HPM funcionam programas como banco de leite, antitabagismo, diabetes, entre outros.

Promessa de solução em 45 dias

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) está desenvolvendo ações internas, em conjunto com a diretoria do HPM, e no período de 30 a 45 dias deve apresentar os resultados para a melhoria do atendimento no Hospital São Lucas.

Há duas semanas o subsecretário estadual de Saúde, Fábio Benezeth Chaves, afirmou que agendaria reunião com a direção do HPM e da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), para solicitar a abertura de mais 50 leitos no São Lucas, além de autonomia na gestão administrativa do hospital.

A intenção é refazer o contrato firmado entre as secretarias. Benezeth disse, na ocasião, que até para fazer pequenos ajustes e reparos de manutenção na unidade era necessário autorização do HPM.

Depois da divulgação de imagens feitas por pacientes e familiares, mostrando o drama da superlotação, internação em corredores – e até mesmo urina armazenada em local inapropriado –, a Sesa substituiu a direção do São Lucas.

Para o presidente do CRM, Aloizio Faria de Souza, o espaço físico que o hospital ocupa hoje no HPM não comporta a demanda de atendimento de urgência e emergência do Estado. Ele diz que as ações que o governo tem proposto até agora são de médio e logo prazos, mas é necessário promover melhorias que produzam efeito imediato.
Fonte : SIMES



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