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Demografia Médica Paulista traça o perfil do médico no Estado e revela desigualdades na distribuição de profissionais


Foto: Simesp
Demografia Médica Paulista traça o perfil do médico no Estado e revela desigualdades na distribuição de profissionais



17/12/2012
A distribuição de médicos em São Paulo apresenta importantes desigualdades entre as cidades-sede da maioria das 17 regiões administrativas do Estado e os demais municípios, de acordo com o estudo Demografia Médica do Estado de São Paulo, lançado na última sexta-feira (14), na sede do Cremesp. A pesquisa é um suplemento da Demografia Médica no Brasil, realizado em parceira pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e Conselho Federal de Medicina (CFM) e que, em novembro de 2011, traçou um perfil dos 371.788 médicos ativos à época no país.

O levantamento, agora focado nos 106.536 médicos (dados de novembro de 2011) que atuam no território paulista, chama a atenção para as diferenças na sua distribuição, já verificadas no estudo Demografia Médica no Brasil, quando foram comparados os 26 Estados mais o Distrito Federal, além das cinco regiões do país (Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e Centro-Oeste). Corrobora, ainda, o aumento expressivo de médicos, comparado ao crescimento da população, e maior entrada do que saída de profissionais do mercado de trabalho, além de um perfil jovem e cada vez mais feminino da medicina paulista.

"As desigualdades na distribuição de médicos é resultado da má distribuição de renda no país. O que precisamos é de políticas públicas para a fixação de médicos em regiões carentes", destacou o presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, durante o lançamento do estudo. Ele ressaltou também que o trabalho de pesquisa tem subsídios para qualificar o atual debate sobre a abertura de mais cursos de medicina para suprir uma suposta necessidade de médicos em áreas desassistidas.

"Não adianta formar médicos sem qualidade, isso se torna um novo problema", corroborou o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, que prestigiou o lançamento. Estiveram presentes também, o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes; o presidente da Academia de Medicina. Guido Palomba, do direto de Comunicação do Conselho Federal de Medicina (CFM), Desiré Callegari, entre outras autoridades.

Outro destaque do estudo é um Atlas inédito com dados sobre o grupo de médicos de cada um dos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRSs) do Estado. Identificados pelo município-sede, os levantamentos detalham o número de profissionais que residem na região, a razão médico-habitante e sua representatividade no conjunto do Estado. O Atlas traça também um perfil do médico por DRS, percentual de homens e mulheres, idade média dos profissionais e o tempo de formado. Revela, ainda, se oriundos de faculdade pública ou privada, número de especialistas e generalistas, e o percentual de cada grupo em relação ao Estado, entre outros.

De acordo com o Atlas, a regional de Registro é a menos servida por médicos e serviços, além de não ter especialistas em 21 das 53 áreas. Dos 107 especialistas da região, o maior grupo é de pediatras, com 22 profissionais, seguido por 11 ginecologistas-obstetras. Registro concentra profissionais em áreas básicas, uma tendência já vista nas regiões menos servidas do território paulista e no conjunto do país.

Medicina do Trabalho e Medicina de Tráfego aparecem com frequência alta em todas as DRSs. As regionais, cujas sedes são centros médicos importantes, têm distribuição de especialistas semelhante à do conjunto do Estado.

Concentração em cidades maiores

O Estado de São Paulo conta com 1,26 especialista para cada generalista. No Brasil, a razão é de 1,23. A maioria das regionais tem razão semelhante, com exceção de duas onde os especialistas estão em menor número: Presidente Prudente (0,88) e Registro (0,97). Piracicaba se destaca na outra ponta, com 1,81 especialista por generalista. Como já se constatou na Demografia Médica no Brasil, onde há menos médicos, há menos especialistas.

O Estado concentra profissionais nas cidades-sede dos DRSs, que costumam ser a mais importante das respectivas regiões. Em decorrência, são também as que dispõem de maior número e melhores equipamentos e serviços de saúde. A capital São Paulo, por exemplo, reúne 48.947 médicos, o equivalente a 86,40% dos profissionais da regional da Grande São Paulo - o que representa 4,34 médicos por 1.000 habitantes, contra a razão de 2,88 para o conjunto do DRS. Essa concentração se explica pela proximidade dos municípios da Região Metropolitana, o que faz com que muitos médicos tenham residência em São Paulo e trabalhem em cidades vizinhas.

Na maioria dos casos, a cidade-sede tem uma razão médico-habitante pelo menos duas vezes maior que a do conjunto da regional. A Baixada Santista tem 1,95 médico por 1.000 habitantes enquanto Santos, a cidade- sede, 6,00. O DRS de Campinas exibe uma razão médico habitante de 2,45, enquanto a sede, 5,11. A regional de Presidente Prudente tem 1,82 médico para cada 1.000 moradores, enquanto a sede tem 4,38. São José do Rio Preto conta com razão de 4,79, enquanto o conjunto de sua Regional tem 2,27 médicos por 1.000 habitantes.

Alguns DRSs fogem a essa regra, como o de Bauru, onde há mais médicos por 1.000 habitantes no conjunto da regional (3,94) que na cidade sede (2,31). No de Franca há quase um empate, com 1,43 no conjunto do departamento contra 1,83 na sede.

Mulheres são minoria em todas as regionais

Os homens representam 59,1% do contingente de médicos na ativa no Estado de São Paulo; e as mulheres, 40,9%. A Grande São Paulo tem maior percentual de médicas. Nos seus 39 municípios, elas são 44,2% contra 55,8% dos médicos.

Em sete regionais há entre 2 e 2,5 médicos para cada médica: Araraquara (2,62), Barretos (2,50); São João da Boa Vista (2,33), Franca (2,32), Araçatuba (2,32), Registro, (2,28) e Piracicaba (2,02). Quando se compara os dois extremos, a Grande São Paulo (1,26) tem duas vezes mais médicas que a região de Araraquara (2,62).

Presidente Prudente tem menor média de idade

Os médicos paulistas têm média de idade de 45,1 anos e a regional da Grande São Paulo é a que puxa a média dos indicadores, já que é a mais numerosa do Estado. A regional de Registro é a que tem profissionais com média mais alta (50,2 anos), seguida por São João da Boa Vista (48,2) e Araçatuba (47,6). A única explicação para esse perfil mais alto é a precariedade dos serviços de saúde da região – como acontece com a regional de Registro – ou a distância da Capital, como é o caso de Araçatuba. Profissionais mais jovens e do sexo feminino estão mais presentes nos principais centros médicos e de ensino, ou em regiões próximas desses centros.

Entre as regionais com profissionais mais jovens estão Presidente Prudente (42,0 anos), Ribeirão Preto e São José do Rio Preto (ambas com 43,7 anos). As três cidades sede, embora distante da Capital, são polos econômicos e de ensino e com significativa participação de mulheres.

Em três regionais, maioria se graduou fora do Estado

O Atlas também revela onde se formaram os profissionais em atividade no conjunto do Estado. Dos 105.415 médicos na ativa, 65.147 (61,2%) são formados em escolas paulistas; e os demais, fora do Estado ou do país. No geral, a maioria das regionais repete a proporção de dois terços formados em São Paulo. Três fogem à regra, apresentando mais médicos graduados fora do que em escolas paulistas: Registro (65%), Taubaté (55,3%) e Franca (52,8%). A proximidade com a divisa de outros estados, a dificuldade de contratação de profissionais e a inexistência de escolas médicas na região podem explicar o número mais elevado. Em posição oposta estão quatro regionais com cerca de 70% de profissionais formados em território paulista: Marília, Bauru, Presidente Prudente e São José do Rio Preto.

Na região de Santos, 70,5% formaram-se em escolas privadas

No conjunto do Estado, os médicos formados em escolas públicas (52%) ainda são maioria por uma pequena diferença, mas a relação que tende a se inverter com a predominância de instituições privadas entre as escolas médicas recém abertas ou em fase de abertura. É esperado que haja mais egressos do ensino público nas regiões e cidades-sede onde estão as principais escolas médicas federais e estaduais. Assim, O DRS de Ribeirão Preto tem 72,5% dos médicos formados em faculdades públicas. Em quatro regionais há mais médicos formados na rede privada que nas escolas públicas: Santos (70,5% ), Presidente Prudente (63,0%), Sorocaba (66,6%) e São João da Boa Vista (54,4%).

Após a apresentação dos principais dados, Guido Palomba parabenizou a equipe responsável pelo trabalho – coordenada pelo pesquisador Mário Scheffer – , nominando-a como "a publicação mais importante da área já feita no país". Já Desiré Callegari destacou que a parceira entre o Cremesp e o CFM continuará a produzir levantamentos sobre o exercício da medicina no país, como o que foi apresentado nesta sexta-feira (14/11). "Com o estudo Demografia Médica, começamos os subsídios mais embasados para sustentar nossas posições em defesa da medicina", destacou Cid Carvalhaes.
Fonte : Simesp



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