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MG: pediatria em Minas Gerais está à beira de um colapso


Foto: Sinmed-MG
MG: pediatria em Minas Gerais está à beira de um colapso
Para a presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Raquel Pitchon, o Estado enfrenta uma precariedade no setor.


19/03/2013
Crianças deitadas em cadeiras, esparramadas no colo das mães e sem o sorriso característico da faixa etária. Esse era o cenário do Hospital Infantil João Paulo II, no Santa Efigênia, na região Centro-Sul da capital, onde a espera por atendimento na emergência pediátrica superava quatro horas na última quarta-feira. A reportagem de O TEMPO verificou que a unidade tinha apenas um profissional para atender a cerca de 50 crianças. A situação se repete em outros prontos-atendimentos de Belo Horizonte, inclusive privados.

Com o fechamento de 18 unidades nos últimos cinco anos e a falta de especialistas no mercado, o setor vive em crise. Minas Gerais tem, em média, um pediatra para cada 1.827 crianças e adolescentes, quase a metade do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - um médico para cada mil habitantes. Entretanto, muitos desses pediatras não atuam mais na área e migraram para outras especialidades, conforme o presidente da Associação Médica de Minas, Lincoln Ferreira.

"O Sistema Único de Saude (SUS) paga R$ 2,70, e os planos, R$ 30 por uma consulta de emergência. Fica inviável manter os prontos-atendimentos. Vários médicos fecharam seus consultórios porque não conseguem arcar com as despesas", explica. Situação similar ocorre no Hospital Vila da Serra, em Nova Lima, na região metropolitana, que recebe cerca de 4.000 crianças por mês, mas ameaça encerrar o serviço em breve, o que pode sobrecarregar os demais.

O Ministério Público de Minas foi acionado pela Sociedade Mineira de Pediatria, para intervir no problema. Um abaixo-assinado online também tenta impedir o fechamento da unidade. "As mães se preocupam com a falta de pediatras e de opções para atender aos nossos filhos", destaca a servidora Maria de Fátima de Melo, que articula o protesto.

Quem precisa de atendimento sofre na sala de espera. Nesta época, com o aumento dos casos de dengue e de doenças respiratórias, a procura pelo setor de emergência infantil cresce cerca de 30%. A cozinheira Vanilza Nogueira, 32, chegou às 11h, ao Hospital Infantil João Paulo II, com sua filha de um ano, febril. Às 16h, não tinha sido atendida. "Sempre espero por muito tempo, mas prefiro aqui à Unidade de Pronto-Atendimento, que não faz todos os exames".

Na rede privada, o tempo de espera não é muito diferente. Rejane Valadares, 36, esperou durante duas horas por uma consulta para a filha de 3 anos no Hospital São Camilo, na região Leste. "É muito difícil conseguir marcar uma consulta com pediatra para a mesma semana, por isso a gente usa a emergência", diz.

No interior, o cenário é ainda pior. A dona de casa Elidiane Sacramento, 28, vem de Itabirito, na região Central, para conseguir atendimento na capital. "Na minha cidade, só há três pediatras particulares, e as policlínicas ficam lotadas", justifica.

Para a presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Raquel Pitchon, o Estado enfrenta uma precariedade no setor. "Isso pode ser visto pelo tempo médio de espera por atendimento, que chega a quatro horas", detalha. Segundo ela, a falta de leitos pediátricos também é um problema que se agrava. "São 18 hospitais que deixaram de atender e hospitalizar crianças", destacou.

As secretarias estadual e municipal de Saúde não forneceram fonte para falar sobre o tema. O órgão do Estado informou apenas que há 191 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo pediátricos em Minas.

Desvalorização desestimula profissionais

A relação desproporcional entre o número de crianças e adolescentes no Estado e a quantidade de pediatras é um reflexo da desvalorização desse profissional nos últimos anos. Os baixos honorários e a sobrecarga de trabalho desestimulam a categoria, tanto que a procura pela residência em pediatria caiu 50% na última década, segundo a Sociedade Mineira de Pediatria (SMP).

"Os estudantes têm vontade de fazer a especialidade, mas a desvalorização faz com que eles optem por áreas mais promissoras, como a dermatologia", destaca a presidente da SMP, Raquel Pitchon.

Ainda assim, segundo a entidade, a concorrência pelas 222 vagas para residência em pediatria oferecidas por apenas 19 hospitais mineiros é alta. Já o tempo de formação da especialidade, de dois anos, pode aumentar para três, segundo projetos em discussão, devido à necessidade de ampliar as disciplinas e atualizar o conhecimento na área.

"Nos últimos anos, perdemos muitos pediatras. O serviço público não atrai o profissional porque os plantões são muito puxados e o salário, baixo. Há cidades sem pediatra", ressalta a diretora do Sindicato dos Médicos de Minas, Ariete de Araújo. (JS)
Fonte : Sinmed-MG



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