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RJ: com pai doador, criança de 3 anos morre na fila de transplante de fígado


Foto: SINMED-RJ
RJ: com pai doador, criança de 3 anos morre na fila de transplante de fígado
Crianças que precisam de transplante fazem manifestação na Defensoria Pública da União.


22/03/2013
As panelinhas de plástico com que Ana Paula Ferreira tanto gostava de brincar estão jogadas no canto do quarto desde o último dia 11, quando a menina de 3 anos foi internada no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB). A cirrose hepática, da qual ela vinha sendo tratada desde os 5 meses, havia se agravado. A doença não tinha cura, e a menina aguardava um transplante de fígado. Desesperado, o pai, Paulo Diniz dos Santos, de 36 anos, voltou a procurar os médicos para cobrar o procedimento, já que, segundo ele, desde fevereiro de 2012, havia sido considerado apto para ser o doador. Tarde demais. Ana Paula morreu no último domingo.

- Ela já não tinha mais condições de fazer o transplantes - lamentou o pai.

E, mesmo se tivesse, o serviço de transplantes pediátricos - o único do estado do Rio - está parado desde dezembro por falta de equipes médicas, como o EXTRA mostrou no sábado.

- Em janeiro, eu refiz os exames, porque eles têm que ficar atualizados. O médico me confirmou que eu e minha filha estávamos aptos para o transplante. E que era só aguardar, que seria feito, mas ele não sabia dizer quando, porque o hospital estava passando por problemas - disse o metalúrgico Paulo Diniz, pai de Ana Paula.

A assessoria do HFB afirmou, no entanto, que "Ana Paula Ferreira, bem como o seu pai, possível doador, não apresentavam condições clínicas para a realização do transplante". Segundo a nota, "ambos recebiam tratamento e acompanhamento ambulatorial na unidade".

A Secretaria estadual de Saúde, que coordena o Programa Estadual de Transplantes (PET), afirma que, para compensar a paralisação do serviço do HFB, tem enviado pacientes e órgãos para serem transplantados fora do Rio de Janeiro. Este ano, isso aconteceu uma vez. Mas, segundo a secretaria, desde o início dos problemas na unidade federal, o PET não recebeu nenhum pedido de prioridade para nenhum paciente na fila.

Decisão da Justiça deve sair nesta quinta-feira

A Defensoria Pública da União aguarda para esta quinta-feira a decisão da Justiça Federal a respeito do pedido de liminar, apresentado na terça-feira, que solicita a reestruturação das equipes médicas do Hospital Federal de Bonsucesso num prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

- No pedido de liminar, também solicito que, nesse prazo de 15 dias, se houver necessidade, a União custeie a transferência do paciente e do órgão para que o transplante aconteça em outro estado - afirmou o defensor Daniel Macedo.

Segundo ele, é preciso urgência, porque algumas crianças já não têm mais vasos sanguíneos capazes de suportar a realização da hemodiálise. O tratamento, que retira líquido e substâncias tóxicas do organismo, é fundamental para manter os pacientes renais crônicos vivos.

- Quando elas já não têm mais entradas para a hemodiálise é porque já foram usadas veias dos braços e das pernas - diz Macedo.

O Ministério da Saúde informou que está recompondo as equipes médicas e que os transplantes de adultos e de crianças serão retomados no HFB em abril.

Nesta quarta-feira, em manifestação realizada na Defensoria Pública da União, no Centro do Rio, o presidente da Associação de Movimentos dos Renais Vivos e Transplantados do Rio (Amorvit-RJ), Roque da Silva, deu um depoimento emocionado:

- Quando começamos a hemodiálise somos chamados de renais crônicos terminais. Não somos terminais. Somos guerreiros. Somente quem senta naquela cadeira, durante três horas, três vezes na semana, como eu sentei por nove anos, sabe o que é ser um renal crônico. Estou há 11 anos transplantado e ainda luto para receber os remédios contra a rejeição. Porque sei que posso dormir transplantado e acordar na fila de espera por um rim. Há 25 anos, a Amorvit-RJ tem ajudado os pacientes do HFB até a pagar a passagem de ônibus para poderem fazer o tratamento. A partir de hoje, a associação passa a se chamar Associação Dricielle Guerreiros.

Dricielle Ferreira Marcelino de França morreu na última sexta-feira, em Macaé, aos 11 anos. A mãe da menina conta que recebeu um telefonema do HFB no dia 23 de fevereiro. Ela deveria chegar à unidade até as 20h. Sem dinheiro, Patricia Ferreira disse que não tinha como ir naquele dia. Apesar disso, o hospital não providenciou o transporte da criança. Dezenove dias depois, Dricielle foi internada às pressas em Macaé e morreu.

Transplantes de fígado e de rim foram paralisados no Hospital de Bonsucesso

O Hospital Federal de Bonsucesso parou de realizar transplantes em adultos e crianças em dezembro do ano passado, quando as equipes médicas ficaram desestruturadas. Médicos se aposentaram, pediram demissão ou transferência para outras unidades.

Os transplantes em adultos podem ser realizados por outros hospitais credenciados. Mas apenas o HFB é habilitado pelo Ministério da Saúde para fazer a cirurgia em crianças no estado.

Este ano, apenas uma criança e três adolescentes foram transplantados no estado. Os jovens passaram pelo procedimento no Hospital Antônio Pedro, em Niterói, e no Hospital do Fundão (UFRJ), e a criança, em São Paulo.

O Hospital estadual da Criança, recém-inaugurado, passará a fazer transplantes de rim e de fígado a partir de abril, após o credenciamento da unidade no Sistema Nacional de Transplantes.

Como ser um doador de órgãos

Para ser doador, o principal é conversar com a família e deixar bem claro o desejo de ser um doador. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte.

A doação de órgãos é um ato pelo qual a pessoa manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte cerebral, uma ou mais partes do corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

Para a doação, é necessário que se constate morte cerebral. Quando isso ocorre, o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Os órgãos têm que ser retirados antes que o coração pare de bater.

É possível doar um órgão em vida, desde que o doador tenha boa saúde e o receptor seja parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.
Fonte : SINMED-RJ com informações do Jornal Extra/Rio



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