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Pessoas que trabalham em ambientes com ar condicionado t?m risco 40% maior de apresentar problemas respirat?rios



05/07/2006
Mesmo sem ?caros e fungos, o risco da rinite al?rgica est? presente: basta que as pessoas no local sejam submetidas a um choque t?rmico. Segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade de S?o Paulo (USP), o ambiente mais prop?cio ? o local de trabalho, onde normalmente o ar ? resfriado de forma for?ada, ainda mais em pa?ses tropicais.



A pesquisa envolveu 1,5 mil pessoas que trabalhavam sob sistemas de climatiza??o central e outras 500 expostas apenas ? ventila??o natural. ?Por meio da aplica??o de question?rios, constatamos que aqueles que trabalhavam sob efeito do ar condicionado tinham um risco 40% maior de apresentar problema respirat?rio?, disse Gustavo Graudenz, professor da Faculdade de Medicina, ? Ag?ncia Fapesp.



O alergologista aponta que ainda n?o se conhece o motivo dessa maior exposi??o aos problemas respirat?rios. ?O ar condicionado n?o acumula al?rgenos que possam explicar o problema. Tudo est? relacionado ? mudan?a dr?stica de temperatura. O que podemos dizer ? que, quanto mais velho for o aparelho, maior ? o risco de as pessoas apresentarem rinite al?rgica?, disse.



O trabalho reuniu dois pesquisadores de ?reas distintas, Graudenz e Arlindo Tribess, professor da Escola Polit?cnica (Poli). ?A engenharia ? a ci?ncia capaz de controlar os fatores f?sicos em ambientes climatizados e a medicina analisa a resposta do organismo humano em frente a esses fatores. Essa aproxima??o ? importante para propormos interven??es, seja por meio de novos medicamentos ou por meio de altera??es nos sistemas de ar condicionado?, disse Graudenz.



Diante dos primeiros resultados, os autores do estudo decidiram analisar as condi??es clim?ticas gerais do ambiente que poderiam favorecer o aparecimento dos sintomas respirat?rios. As mudan?as severas de temperatura, efeito conhecido como ?choque t?rmico?, passaram ent?o a ser o objeto central do estudo.



No Laborat?rio para Avalia??o de Sistemas de Ar Condicionado, do Departamento de Engenharia Mec?nica da Poli, os cientistas reproduziram um ambiente de escrit?rio completo. As instala??es especiais permitiram o controle total do clima dentro desse ambiente de trabalho simulado.



Ao todo, foram analisados 32 portadores de rinite e 16 pessoas consideradas sadias. Os volunt?rios foram expostos a diferentes n?veis de temperatura e, em seguida, foi coletado material da mucosa do nariz. ?Os portadores de rinite apresentaram uma inflama??o no nariz mais acentuada e prolongada, o que mostra que indiv?duos al?rgicos t?m capacidade diminu?da de lidar com as mudan?as dr?sticas de temperatura?, disse Graudenz.



Os volunt?rios do teste, explica o m?dico, foram expostos a uma temperatura inicial de 26?C. Depois de 30 minutos, o ambiente foi rapidamente resfriado para 14?C. Mais 30 minutos e os term?metros voltaram a subir.



Segundo Graudenz, pesquisas como essa, que contou com o apoio da FAPESP, podem contribuir n?o apenas para a identifica??o das causas da rinite, mas principalmente para o tratamento dessa rea??o al?rgica. Apenas na cidade de S?o Paulo, as estimativas apontam que um quinto da popula??o apresentar? sintomas da doen?a ao longo da vida.



?A rinite ? uma doen?a cr?nica ainda sem cura, mas que pode ser controlada por meio de rem?dios ou vacinas. Nesse estudo, a parceria entre medicina e engenharia representou um passo importante, ao mostrar que o controle correto da temperatura nos ambientes fechados ? uma das formas para o combate a esse tipo de alergia?, disse o professor da Faculdade de Medicina da USP.



Fonte : Ag?ncia Fapesp - 05/07/2006



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