Sindicatos Médicos:

 
Você não está logado
Entrar | Cadastrar




Palavras-chave

Creio no SUS


Foto: Divulgação
Creio no SUS
Eduardo Santana é II vice-presidente da Fenam


16/09/2008
Como muitos milhares de brasileiros, sinto-me pai ou avô do Sistema Único de Saúde (SUS) e, concomitantemente, um dos responsáveis por ele. É, sem dúvida alguma, o maior instrumento de inclusão social que o mundo experimentou no século passado. Enquanto humanidade, teremos de nos esforçar muito para superá-lo. Mas não podemos nos negar a ver o que tem sido feito no país em nome do SUS, nos últimos tempos.

Esse que nasce como um grande instrumento de inclusão social vem sendo gerido como instrumento de exclusão quando dificulta o acesso do cidadão e da cidadã aos seus serviços, quando impede que profissionais qualificados possam exercer eticamente suas profissões e quando se transforma em instrumento de dor social, individual ou coletiva.

Então por que estamos aqui? Creio que muitos caminhos poderemos apontar para justificar aonde chegamos, mas alguns deles terão prioridades em nossas análises. Um deles, por exemplo, tem sido apregoado pelos responsáveis pela viabilização do sistema como o grande vilão da história. A falta de um modelo de gestão que seja viável, que possa cumprir metas, que seja capaz de valorizar profissionais e que disponibilize assistência qualificada conforme a necessidade do cidadão. E, sendo isso verdade, a resposta para todos os males do SUS parece ser apenas uma: a milagrosa FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO PRIVADO.

EU ACREDITO NO SUS!

Assim, o problema todo é que não se pode demitir funcionários conforme o interesse dos gestores. O problema é que colocar o sistema sob a guarda de leis de licitação pública o enrijece. O problema é que ter de fazer concurso para acesso ao serviço público dá muito trabalho para o processo de contratação. O problema é que ter de respeitar a lei de responsabilidade fiscal impede que se faça o aporte dos recursos necessários... Logo, vamos à mudança de modelo de gestão vamos à FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO PRIVADO!

Trazer para dentro do setor público as regras do setor privado. Muito interessante. Afinal, os trabalhadores públicos têm muitos privilégios e precisam perdê-los. É preciso flexibilizar a gestão de pessoal para diminuir o peso do Estado. Aliás, para alguns, seria muito bom se o Estado deixasse de existir; se ele não tivesse compromisso e nem responsabilidade para com ninguém se morássemos todos dentro de uma grande empresa.

EU ACREDITO NO SUS!

Onde esse sistema nos leva? O caminho é um só: da privatização dos instrumentos e a?s de saúde no país onde os avanços das regras de gestão se darão principalmente, no que tange aos trabalhadores, no qual setores conservadores e ?estatofobos?, na qual a palavra saúde deveria ser grafada assim: $aúde.

EU ACREDITO NO SUS!

Não acredito no SUS por seu potencial, pelo que já é capaz de realizar ou já realizou, mesmo sabendo que isso já seria o bastante. Acredito nele por sua origem. O SUS não é um presente de governo ou de partido político algum, não é uma concessão de ninguém. É sim, uma grande conquista de toda a sociedade brasileira. Cada cidadão de alguma forma participou da sua conquista e o merece funcionando conforme suas reais necessidades.

Sendo assim, não posso concordar que temos problema de modelo de gestão. É sabido que o Estado brasileiro tem regras de gestão extremamente atuais, capazes de proporcionar ações que qualifiquem a gestão pública de um país, bem como propiciar a cada cidadão e cidadã serviços de boa qualidade.

Sendo isso verdade, quais os caminhos que trilhamos e nos levaram a esse momento de exclusão?

Creio que trilhamos dois dos piores caminhos de um serviço público, a saber: a falta de uma POLÍTICA DE FINANCIAMENTO, que seja capaz de atender as necessidades do sistema, e a falta de uma POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS, capaz de disponibilizar profissionais qualificados e motivados à população.

EU ACREDITO NO SUS!

Bem, creio que começamos agora a acertar no diagnóstico. Passamos a caminhar melhor os caminhos da terapêutica e buscar o fortalecimento desse importante instrumento social.

POLÍTICA DE FINANCIAMENTO

Quando o povo brasileiro conquistou o SUS, ele deveria ter financiamento tr?ice, de igual responsabilidade, sem nenhum nível de hierarquização quanto a esse quesito. Uni? Estados e Municípios brasileiros deveriam viabilizá-lo economicamente. Definiu-se, à época, que seu financiamento deveria ser o equivalente, no mínimo, a 30 % do financiamento da seguridade social. Se isso acontecesse, no ano de 2007 só a União deveria ter viabilizado cerca de R$100.000.000.000,00 para o SUS. Ela não conseguiu a metade disso. Todo o financiamento - União, Estados e Município - não foi superior a R$95.000.000.000,00. Assim, não tem sistema de saúde que dê certo.

POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS

Com o avanço do tempo e da necessidade de atenção pela população brasileira, consciente de seus direitos, cobrando em todos os canais possíveis sua atenção a serviços de saúde foram sendo criados e disponibilizados à população sem nenhum planejamento de disponibilização de profissionais para sua execução. O resultado foi a maior precarização de relações de trabalho que já se tomou conhecimento no serviço público no país. Podemos citar, sem medo de errar, que, por exemplo, nunca se precarizou tanto o trabalho médico. Aliás, como essa também passaram a excluir os trabalhadores do sistema, empurrando-os para fora para poderem melhor ser valorizados, apesar da busca de inúmeras formas de resistência para se manterem dentro do SUS. Manter em respeito à população que o conquistou.

Falta de reconhecimentos profissionais, falta de PCCS - Planos de Cargos, Carreiras e Salários -, falta de condições dignas de trabalho.

Assim, quero aqui fazer a minha defesa do SUS. O SUS que nós, os brasileiros, conquistamos e escrevemos na Constituição Brasileira.

EU ACREDITO NO SUS

O SUS do respeito aos trabalhadores e aos usuários, o da inclusão o da assistência única, o que nos propicia a atenção integral; o sistema no qual os que lá trabalham tenham presente e futuro e os que dele precisam tenham necessidades atendidas

Nosso problema não é o modelo de gestão. É o modelo de gestor.

EU ACREDITO NO SUS
Fonte : Eduardo Santana



Avalie este conteúdo
Se você achou esse conteúdo interessante deixe seu voto clicando no botao "gostei". Os conteúdos melhor avaliados ficam em destaque para os outros usuários.


Este conteúdo tem 1564 visitas

Para votar, você precisa estar logado no site.


Comentários


Deixe seu comentário






Digite as letras que você vê na imagem ao lado:



Interatividade FENAM
Nossos canais na Web 2.0
 
Informativo eletr�nico
Cadastre-se e receba por email as not�cias da FENAM




Enquete

Você é filiado ao seu sindicato?


Não
Sim
Opa, selecione uma op��o.









Caso seja mais de um amigo, separe os emails por vírgula.

Para votar, você precisa estar logado no site.


Desenvolvimento: RBW Comunicação |
© Federação Nacional dos Médicos - FENAM (2008)